sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Minha doce poetisa

(Uma simples homenagem para duas pessoas que amo ler: minha Cunhadão, Adriana Godoy e Luísa Godoy, a monstra mais linda do mundo)


Sinto medo!

Medo de não te ler mais…

Então fico aqui esperando

cada letra

palavra

cada virgula

parágrafo…

E sem perceber

busco sentir sua voz nessa tela fria

na esperança de saber de você

do seu sonho

daquele pesadelo que continua te assombrando…



Também tenho medo de não enxergar mais seus passos

minuciosamente datilografados

corrigidos

feitos e refeitos

nesse português perfeito

E de não olhar o mundo com seus olhos

E de não sentir a vida que me escapa

E de saber, enfim, que há muito não me pertence mais



Medo de perder esse fio que me liga a você

ao seu mundo ilógico

literário

cibernético

e de saber que existem outros poetas sonâmbulos

escrevendo verdades

e sonhos

bebendo a própria loucura

dedilhada num teclado qualquer

distante…



E na sede que me consome

vejo o medo que cresce

cada vez que apago essa luz azul

que ilumina meu quarto

que acende meus olhos sedentos

e minha pobre alma refletida em seus escritos



Medo de ver por mim mesma

o que acredito não conseguir fazer

o que não me acho capaz de realizar

O feito perfeito

a letra

palavra

a vírgula,

parágrafo

mi-li-me-tri-ca-men-te correto



Então acendo a tela

e me ligo novamente a você

minha doce poetisa

E em êxtase bebo sua loucura digitalizada

saciando, mais uma vez, minha poética sede

3 comentários:

Leonardo B. disse...

[o quanto aconchega, o quanto "faz falta" a palavra que nos traduz, que nos seduz, daqueles que nos fazem falta pelos silêncios, pausas e reescritas no mundo...]

E Adriana, "faz falta"!!!

Um abraço,

Leonardo B.

Aline disse...

parabens pelo apelo. se voce nada dizer, nada será dito.
o texto? lindo!

MIRZE disse...

Já pensei em fazer um apelo assim. Adriana Godoy, considerada por mim, como a melhor poetisa da blogosfera. Firme, uma poesia que pertence a nós todos.

DRI!

Você sempre merece!

Beijos à autora e à você.

Mirze